Adrien Brody em "O Pianista" de Roman Polanski
Ter dias de férias para passar o Natal em casa, com a família e amigos, sempre foi inquestionável. Há anos que em Junho ou Julho já tenho as férias religiosamente marcadas na empresa (agora, como freelancer, é tudo mais fácil) e a viagem planeada e paga para evitar gastos maiores nas reservas de avião em cima do joelho. Natal que não fosse na ilha, não seria.
A casa da minha mãe, o meu quarto de adolescente, intocável, ainda com
as cortinas aos quadrados que tanto prazer me deram escolher. Na minha
secretária, o computador velho onde fiz as minhas primeiras
incursões na internet (o mirc e a rdis!). A grande árvore de Natal com
anjinhos dourados e as bolas mais bonitas de sempre. O centro da mesa
com a vela do pai natal gordo e olhos gozados. O piano preto pesado e a
banqueta cor de vinho, acordes próprios da época e um bando de esganiçados a esgravatar canções.
Este Dezembro, surpreendentemente, trago um misto de emoções. Na sexta às 7h45 estarei a descolar de Lisboa e, ao contrário de sempre, tenho um nó cego na garganta. Quero ir a casa, sim, mas gostava que ele viesse comigo. Vivo em Lisboa há mais de dez anos, mas a minha casa sempre foi a ilha. Desde as mortes do meu pai e do meu tio que o Natal é triste. Há catorze anos que o Dezembro é preto. As vozes são desmaiadas e as teclas negras e brancas do piano não se tocam sozinhas. Mas saudoso, o Natal só o é em casa.
Ele, o A., trabalha a 24 e a 26. Não pode ir comigo, nem pode ir ter com os pais. O Natal dele vai ser triste, desterrado, a praticar no piano que comprou há três meses. O nó treme-me na garganta e pergunta ao meu peito se agora tenho dois lugares chamados casa.
19.12.12
18.12.12
17.12.12
ASAE ao Marquês já!
Volta e meia vou almoçar com o meu amorzão ao Balcão do Marquês. Hoje não foi o dia, e ainda bem. O restaurante fica próximo do trabalho dele, é prático, e a comida é boa. Ou era. Hoje, contou-me ele, os colegas foram lá almoçar, como já fazem há meses e anos. Bacalhau Delicioso ou coisa que o valha. A delícia? Nada mais, nada menos do que uma barata cozinhada no meio do prato. Ora então, recapitulemos: o grupo entra no restaurante habitual; esfalfados de fome, pedem bacalhau; comem, comem, comem, sabe-lhes pela vida, e quando estão prestes a acabar a refeição um dos gulosos encontra o bicho nos últimos bocados de comida. Uma barata? No prato? Há coisa mais asquerosa que esta? Mas meus bons amigos, a história não acaba aqui, nada disso. Como era de esperar, o grupo habitué do Balcão do Marquês reclamou. Resposta da gerência: "Desculpe, os cafés ficam por conta da casa". Isto é real? Se já estava com uma volta no estômago, agora sinto foguetes. Comeram bacalhau cozinhado com barata e pagaram o prato? Ofereceram-lhes café em troca? Bom, eu não sei em que circunstâncias tudo aconteceu, mas parece-me que até nas coisas pequenas andamos todos perdidos: ou peitos muito inchados ou orelhas demasiado baixas - e o mais preocupante é, na maioria das vezes, os papéis estarem trocados.
Bichos
Este ano, assim como no último, os enfeites da árvore de Natal servem de brinquedos para as miúdas cá de casa. As gatas, digo. É impossível ter o pinheiro arranjado mais do que uma hora. As bolas, rodolfos e pais natal rebolam pela casa inteira, e é dar com eles dentro da banheira, debaixo do sofá ou até na sua própria casa de banho. Estas gatas são umas chafurdas, é verdade, gostam de esconder brinquedos dentro da liteira.Valha-me que depois da porcaria, troquem as decorações da árvore por material de primeira.
16.12.12
14.12.12
Mistérios da vida
A dor para fazer xixi aumentar feita bicha histérica no exacto momento em que metemos a chave na porta para entrar em casa.
Bocejo
E eis que o dia de trabalho chega ao fim. Ultimamente tem sido noite dentro. Mal posso esperar por colher os frutos, mas antes as duas semanas de férias que me esperam. Ahhh! Vida boa a chegar dentro de 7 dias.
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