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31.8.12

O Livro das Ilusões

Não sabia em que mês estava, nem em que ano. Não conseguia lembrar-se do seu nome.  Tijolos e pedra de calçada, as nuvens da sua respiração disparando no ar em frente, e o cão com três pernas manquejando em torno a uma esquina e desaparecendo da sua vista. Deu-se conta mais tarde de que aquela era uma imagem da sua própria morte, o retrato de uma alma em ruínas, e, durante muito tempo depois de se ter recomposto e seguido o seu caminho, uma parte dele permaneceu ali, naquela rua vazia de Sandusky, Ohio, lutando ofegante pelo ar da vida enquanto a sua existência se escoava de dentro das suas entranhas.

29.8.12

Para memória futura

                                Não comer enquanto leio Paul Auster.
                                Não comer enquanto leio Paul Auster.
                                Não comer enquanto leio Paul Auster.

23.8.12

Humor Cão

Acordei com um humor de fugir. Preparei um pequeno-almoço apetitoso para tentar espezinhar a rabugice mas não resultou. Dediquei-me à bricolage na esperança de acalmar os ânimos e foi pior a emenda que o soneto (se há expressões populares com graça esta é, definitivamente, uma delas): os parafusos entravam tortos, a fechadura não encaixava e os puxadores teimavam em cair no chão ao mesmo tempo que faziam estardalhaço tal que estava capaz de fazer guisadinho deles. Entre alguns impropérios, decidi tomar um banho relaxante, cheio de espuma e exfoliante e máscara para o cabelo. Depois de me besuntar em creme protector, enfiei-me nuns calções giros e confortáveis, mais acessórios às cores para animar a manhã e o Livro das Ilusões dentro da mala. Troquei o carro pela bicicleta e pedalei, pedalei, pedalei, até não poder mais. Cheguei a uma esplanada com sol, já esgazeada de fome, e pedi salmão com salada. Descansei com o Paul Auster como companhia e quando a leitura cansou meti-me de novo à estrada. Cheguei a casa pronta a enfrentar o mundo. A culpa é da minha pequenina. Nunca me falha.